Este blog nasceu da id�ia de publicarmos poesias, cr�nicas, contos, textos... nossos e dos nossos amigos e amigas. Esperamos contar com participa��o de todos e todas.   Ded� , F� e Andr�a .

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J� passaram por aqui [#CONTADOR#] amigos e amigas

Transe

Quando n�o se tem o que escrever n�o se escreve nada?

Deixa-se o transe tomar conta de sua alma

E depois o que vier vai ser obra da loucura

Sim, porque � a loucura!

� deixar-se ser o que ningu�m se encoraja

� deixar a ess�ncia viver

Tem gente que consegue ser louco e n�o entrar em transe

Ser�?!

Mas tem gente que n�o consegue entrar em transe sem se deixar ser louco

Acho que sou esta

Sou esta que fica louca

Que entra em transe

Que deixa algu�m tomar conta de sua alma

Que v� sua alma como algo coletivo

Que acredita que o coletivo �s vezes � individual

Que v� assim um indiv�duo como voc� mesmo �s vezes

Mas que nunca consegue, ou quase nunca consegue, se ver num coletivo

Que consegue se ver sozinha na multid�o

Que multid�o! Nossa que multid�o!

Que solid�o! Minha nossa que solid�o!

Viram s�?

O transe se fez

(Edelaine)




Em respeito � originalidade, este blog n�o faz nenhuma altera��o nos textos recebidos.

08/11/2005 11:58
A POESIA DE DÓRIS



Wanderlino Arruda



Linda a poesia de Dóris,
Linda!
Muito de poesia:
beleza de juventude,
ritmo de meninice,
colorido de alegria.
Mil cores.

Confidência de Primavera,
Dóris deixa fluir e fluir-se
sem segredo algum.
O verso é cristal:
jorra e seduz, jorra sincero,
limpo e transparente.
Agradável sempre!

Dóris canta o canto,
não importa se o dia é dia
ou se a noite chega,
porque poesia tem cheiro-criança
e brilho de floresta mágica.
Toda criatura é de Deus,
realidade sempre.
A música é livre
e o verso não é ilusão.

No infinito olhar de Dóris,
o além permite caminho
E o amanhã será sempre lindo.
Preciso é dourar a esperança,
preciso é viver e amar,
dispensando a visão de enfeites.
“Felicidade é pés na enxurrada,
tamancos na mão,
alma ensopada
pingando paixão”.

Mais do que isso,
só banho em águas de fadas,
ou dança com duendes
de múltiplas madrugadas.
Precisa mais?





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08/11/2005 11:58
A HORA É NOSSA





Wanderlino Arruda





Sorrisos e perfume de amor
tudo é doce melodia, viver-felicidade.
Hoje e sempre,
o encanto dos beijos,
o calor nos abraços,
cheiro gostosíssimo de mulher linda.

Vibrando felicidade,
te aperto o corpo,
te vejo e sinto
em sedutor enlevo.
És carinho e luz,
alegria e paz,
encanto sempre,
doçura-mel.

Que calor gostoso teu corpo faz
e como é bom o sentir-te amada!
Colorida nobreza tens,
justo e merecido é o teu querer .
A hora é tua,
a hora é minha,
a hora é nossa.
Tempo esplendente de amor...

Acariciando teu rosto,
de pertinho te olhando,
degusto e cheiro,
escuto um tilintar de cores,
no sempre te sentir menina.
Vibro e vivo,
É maravilhoso viver de amor!



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08/11/2005 11:57
SONHA COMIGO, SONHA !



Wanderlino Arruda



Sonho, sonho,

doce sonho,

carinho-amor,

sonho-carinho,

tudo em majestade luz.



Cor sobre cor,

Cor dentro da cor,

tez e tom,

imagens de linda ilusão,

mais do que real,

numa curva do amanhecer.



Sonha comigo, doce menina,

como momentos de bom viver:

no meu amor,

em nosso amor,

ontem, hoje, depois de amanhã,

ainda e sempre!


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29/10/2005 11:37
Sou milloriano e quintanesco.

Me esclareço em Drummond,

me encanto em cem anos de solidão.

Borges brinca comigo

e Cortázar me corta e recorta.

Mas é Rosa quem me dá

a sensação de ser.



P.S. Leminski me abrevia.



--xx--



A vida é isso.

Carregar na mochila

as próprias feridas.



Mas sempre

com um punhado de rosas

na mão.



As ocasiões exigem,

o cheiro guia.



--xx--



essência



O perfume dos românticos já não exala.

Ficou retido, há muito, no frasco do tempo.

Do cheiro, nem rastro.

Apenas a memória de uma certa fragrância

no nariz do desejo.

"A palavra uma vez lançada voa irrevogável."
- Horácio
Capitão Planeta - cadernoh@yahoo.com.br
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29/10/2005 11:36
Paloma almiscarada de dores e penas:

Flutua em tuas sombras sublime paciência

Voa com leviandade em busca da prudência

dos homens e seres de maldade que condenas.
Eduardo Pompeo - cabelonobisrex@yahoo.com.br



Faze com que alcancem os olhos a tua altura;

Coroa em teu clímax o amor que aqui se encerra;

Salva-nos como mártir em meio de uma guerra

e mostra com teu sangue a verdadeira candura.

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25/10/2005 10:58
Naquela manhã sua vida tomara um caminho diferente. Não dobrou a esquina habitual que o levava ao trabalho, pois um pouco antes, como se uma simples lembrança pudesse desvelar uma vida inteira, ele desistira dos dias e desandara silenciosamente em direção a um silêncio ainda maior. Sentiu emergir toda a angustia e tensão que acumulara como patrimônio, e que na noite anterior quase lhe explodira a cabeça e o coração; Invadiu-lhe uma vontade enorme de vomitar, mas não o fez, apenas pronunciou algo quase inaudível e não dobrou a esquina. Atravessou a rua, abaixou a cabeça, sentiu o sabor do sal atravessar-lhe os lábios e caminhou, pensando que só queria distanciar-se de tudo, esquecer tudo, perder tudo, o trabalho já passou, a família se foi, o amor secou, minha casa não mora mais em mim, posso caminhar em paz, pois já não há mais nada a fazer. Abaixou a aba do boné como se quisesse fechar os olhos para sempre; agora via apenas seus passos sobre a calçada esburacada enquanto ouvia a própria respiração, suave como a de um peixe; sentia o sal ressecado sobre suas pálpebras e o suor que se acumulava nas sobrancelhas. Esquecia quase tudo e começava a não sentir mais nada, já não reconhecia o caminho por onde andava, subidas, descidas, avenidas, ruas, praças, a cidade já não se via, uma estrada, pontes, pequenas vilas, o sol ardente da tarde, morno no poente, a chegada da noite, os músculos e o estômago doloridos, a cabeça vazia, a chuva que começa a cair, a porta de ferro que se fecha, a caixa de papelão vazia, o corpo exausto e adormeceria pensando num passado feliz e perdido. Sob o papelão, como um palhaço, ainda insinuou um ínfimo sorriso, emocionado, triste e morto, como o seu amor pela vida.
(Roberto QT - robqt@terra.com.br)
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25/10/2005 10:57
TRANSFORMAÇÕES

Precisamos de certas transformações muitas vezes.
Temos que deixar de ser boca para sermos ouvidos
Pois é preciso querer escutar mesmo que queiramos falar.
Temos que deixar de ser pernas para sermos braços
Pois também é preciso aprender a carregar.
Temos que deixar de ser coração para sermos cérebro
Pois é preciso pensar no que fazemos, dizemos e queremos.
É fundamental o exercício de nos transformamos uns nos outros
Assim cada um será espelho do outro.
É preciso deixar de ser cérebro para sermos coração
Pois é necessário se atirar, sentir perder as estribeiras.
Temos que deixar de ser braços para sermos pernas
Pois é preciso ter a humildade de se deixar carregar e maturidade para andar com as próprias pernas.
Temos que deixar ouvidos para sermos bocas
Pois se você não aprender a falar, ninguém vai saber que você é.
Preciso aprender a ser você pra saber quem eu sou por mais convicção que tenha disto.
25 out. 05
05h 40min.
Luis Cláudio - lcoliveiraterra@terra.com.br
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25/10/2005 10:56
A ponta da História, não oferecida na íntegra, segundo óbvias diacronias, vê-se deturpada enquanto nada. Aqui à ela não se corrobora para fontes de pesquisas ou correntes ideológicas; distintas linhas de pensamentos; sem quaisquer discernimentos, em detrimento do NOVO TEMPO.
A princípio, note que o mundo nos seus mais austeros ventos evolutivos, justifica-se sem alguma coerência. Surgiu ao acaso! Após o Big-bang; da personalização universal; da configuração das galáxias;.. Note que o mundo se maquiou à eras, períodos, sendo o ser homo, indiscutivelmente o meso e neolítico, foi procurando domina-lo, entricheirado em seus caminhos. Note que o mundo. Note o mundo. Notemundo!
Eu caminhava na França liberal, transindo oniricamente, e pensando à razão de ter trocado o curso de Medicina pela regência musical. Numa confluência iluminista, ditava o ideal numa esquina, ou de passagem, eu, Montesquieu ou Voltaire, conversávamos até que o tempo em absoluto caísse. Intuitivamente, meu sonho era à maestria. Mas não era nobre ou oriundo da burguesia. Casado, de sogro militar-conservador, combatia minha destreza artística. Sustentava-me também com sua gestante filha, e espinafrava-a:

- Como esse louco larga a Medicina?

Terei de lecionar música enquanto não me formar, então, a prover o sustento de minha família.
Até 1968, fui militante do movimento estudantil. Subia nos postes, corria sobre os carros, inflamando discursos contra o regime militar que apunhalara o Brasil. Participei de todos os movimentos de resistência, sejam culturais, artísticos, orgiásticos, e até a passeata dos cem mil. No entanto, eu já era figura conhecida no Departamento de Organização Política e Social ( DOOPS ). Após o AI-5, tive cair na clandestinidade e acabei aderindo à luta armada. Por volta do início dos anos setenta, nossa organização, precisava amealhar fundos para executar o seqüestro de um embaixador estrangeiro, cujo objetivo era sua troca – a do diplomata -, pela soltura e envio de alguns companheiros – amigos presos políticos -, para um outro país.
E no banco, empunhei minha arma:

- Não é um assalto!.. Dizia ... Somos de um movimento revolucionário... Vocês não sabem, mas existe uma ditadura dirigindo o país que vem a tolher nossas liberdades individuais, e governa o Brasil a seu bel prazer...

Enquanto meus camaradas recolhiam a grana, eu continuava discursando:

- Se todos continuarem deitados, se ninguém reagir, não vamos machucá-los!.. Não é assim que almejamos a revolução!.. Estamos nos sacrificando bem comum da nação...

Terminada a ação, saímos correndo da instituição bancária, com as sacolas de dinheiros nas mãos. Jogamo-nos de encontro ao veículo estacionado bem próximo à nossa espera, o qual, logo arrancou. Ainda ouvimos os disparos do revólver do guarda contra o automóvel, mas não deu tempo deles nos perseguirem. Já comemorávamos, no exato momento, o sucesso da atividade!
Em meio àquela bruta euforia, um dos militantes, companheiro de luta e do referido assalto me perguntou:

- E aí camarada... Prefiro resguardar meu codinome clandestino, e prosseguindo... O que faremos com todos tantos cruzeiros?.. Alugaremos um aparelho maior?.. Compraremos mais armas?.. Seqüestraremos logo o embaixador?!

Eu contava algumas cédulas e não me demorei em respondê-lo:

- Nada, seu babaca!.. Vamos dividir o tutano, para sairmos da merda... Eu, particularmente, pretendo queimar fumo e pegar onda no Havaí!

Contudo, em um nublado dia texano, encontrei despretensiosamente, William Seward Burroughs bebendo num bar. Cumprimentei-o formalmente e ele, num tom amistoso, jamais bichoso, requisitou outro copo e mais uma cerveja. Quiz saber de mim: como andava a vida, a família, o Getúlio, o Dutra, o Brasil!.. Respondi que tudo caminhava na mesma merda do pós-guerra. Confessou-me ter entocado em sua casa, algumas cápsulas de morfina, um pouco de pó e erva. Eu disse a Seward que apesar de está há tempos longe da droga, enfim, bateu à fissura, à tentação, pudera?
Já onde morava o escritor, usando seus próprios instrumentos, ele aqueceu uns centigramas de morfina com um pouco de água numa colher, e logo adicionou com uma lâmina, um pouco de cocaína na solução, e puxou no conta-gotas. Eu amarrei o cadarço do meu sapato no braço, enquanto Burroughs procurava nele uma veia. Não foi difícil! Quando senti o efeito da droga entrando em mim; avassalando meu corpo. Chapações causadas, justamente por substâncias tão distintas! William resolveu fumar uma ponta de maconha, e eu, permaneci naquele sofá, divagando, um “puta que pariu”,noutro plano!
Helena, colocou um disco antigo do Led Zeppelin. Tomávamos vodka, e conversávamos sobre o futuro da nossa banda. Mas aquela porra decenária me enjoava! Eu pedia, pedia e suplicava à minha namorada por algo mais atual. Então, parti a vitrola num chute. Terminamos à noite, tirando no violão The Smiths, Zero e Legião!
Parmênides, da Eléia, ficou sabendo de mim e me solicitou à conversar. Fui ter com o filósofo e discutimos Sobre a natureza; Xenófanes; a filosofia jônica; a grega – no geral - e ateniense. Mas antes falei com Heráclito, sabatinando O ser e não-ser. Muito antes, fui agricultor; construtor de diques e barragens; escriba às margens do Tigre e Eufrates. “Entre-rios” eu coçava às orelhas e já mostrava meus dotes sacanas na antiguidade. Mais à frente – de Parmênides -, fui apaixonado por Maria Madalena, uma meretriz da Galiléia, pela qual, valeu-me um desejo insaciável e a produção sudorípara – em superescala –, à incansáveis punhetas. Um dia ela se ajoelhou diante do homem de Nazaré, o qual, intitulavam-no como o profético messias das sagradas escrituras judaicas. E a prostituta seguiu o peregrino com um status de ex,.. Perdoada, deixando-nos como uma multidão de incrédulos a sós. Soube de alguns que se mataram. Outros se deram aos nós!
No ano 1888, estive em Turim na Itália e resolvi visitar Nietzsche. Congratulei-o pelo Zaratustra, Pelo bem e pelo mal, dentre tantos tratados filosóficos, também resolvi agradecê-lo pelo curso de Filologia que ministrara em meus tempos de delírios universitários. Ao levantar o caso Wagner ao filósofo, ele me mandou tomar no cu.
Segunda guerra mundial!.. No continente europeu, iniciava-se uma revolução de dimensões psico-sociológicas na humanidade. Deve-se ressalvar: na Europa, propriamente, era o palco da peleja num caráter mais veemente. Tão logo, apolítico, ou talvez um anarco-comuna – não Stalinista -, eu me resguardava ao existencialismo, ainda como exercício intelectual alternativo, e comia uma menina. Claro, era virgem a tal guria! Naquele tempo, algumas garotas ainda resguardavam o hímen ao matrimônio; à redenção do casamento! Olhe que o velho mundo sempre foi mais avançado em determinados conceitos em relação às Américas. Tomemos como exemplo o caso da Holanda!...
Pois bem, um dia, a Alemanha invadiu Paris. Fui preso pelo exército nazista, mas nem liguei! Ela – a vadia -, já não me dava mais a bunda mesmo!.. Passei os dias naquela “Bastilha”, lendo na surdina sobre Rosa Luxemburgo; ouvi falar de um esquerdista chamado Luiz Carlos Prestes; mas comuna nunca fui não!,, E como diz o Chaves: -“Isso, isso, isso, isso”...
Onde andará a tal virgenzinha do rabinho doce e endiabrado? Se foda a História também, a Geopolítica do vigésimo século e os caralhos! Quem premiou os civis foi a descolonização afro-asiática; as bombas de Nagasaki e Hiroshima; a guerra-fria...
No dia 11 de setembro, cheguei bem cedo à cede de minha empresa. O bigode pontudo e uma barriga sedentária, acenava-me o sucesso no ramo executivo. Esperava um outro empresário também brasileiro, mas não erradicado como eu, para uma reunião de negócios. Esperei, esperei. Afroxei a gravata e ele apreceu. Faltavam poucos minutos para às oito da manhã. Confesso que me arrepiou sua segurança transmitida, à primeira vista, bem como o jovem passou. Apresentou-se! Usava um perfume bem suave. Duma fragrância tênue. Bem alinhado, seu olhar arregalado de garoto buscando o primeiro emprego. Sua negritude latina, surpreendeu-me como há muito não acontecia. Imediatamente liguei para o ramal de minha secretária e ordenei não me repassar quaisquer ligações, nem que fosse minha esposa, filhos, doutros negócios, de porra nenhuma, da casa!..
Após algumas observações, intuindo me ao agrado, mas não persuadindo, o rapaz elogiou o local escolhido para o estabelecimento de meu escritório. Olhava a paisagem através do onipotente vitral e dizia:

- World Trade Center, ótimo local!
- Este é o resultado de árduos anos de trabalho, servindo à ideologia capital, garoto... Assim, eu o respondia.

O menino atraente, iniciou seu discurso. Alegou possuir no Brasil uma fábrica de calçados, herda de seu falecido pai e, estava tentando inserir seu produto no mercado norte-americano. Aí eu entraria como agenciador, visto que no ramo de importação e exportação seria mais fácil para ele, com alguma possibilidade de lucro para mim. Meu trabalho seria importar seus calçados e, em consignação, distribuir entre o comércio novaiorquino. Assim, eu tiraria uma porcentagem na transação. Eu disse que minha especialidade importadora e exportadora não era no ramo primário. Costumava trabalhar com tecnologia de ponta. Intermediava venda de alguns aparelhos eletrônicos para a América Latina, sobretudo, meu campo de ação estava concentrado entre à Europa Ocidental e os Estados Unidos. Contudo, poderia ajudá-lo no que fosse preciso.
Diante deste “pacto” - firmado a princípio com um bom uísque -, acabamos por cair em conversas mais pessoais:

- Você não me parece pequeno empresário, está mais para advogado... Observei-o.
- Como assim o senhor deduz?.. Perguntava o rapaz bestificado.
- Não sei, posso está enganado com meus anos de experiência profissional e acadêmica... Mas que parece um advogado, sim! dizia acendendo um charuto.

- Administração de Empresas na USP... Saciava o menino sobre minha áspera dúvida

- USP?!... Você foi muito na formação...Também iniciei Administração lá!.. Confesso que não me adptei ao curso e acabei me graduando em Economia. Daí, resolvi estudar um pouco mais e passei pela Engenharia Elétrica, Direito, Física. Na UFRJ, cumpri alguns períodos de Arquitetura, mas conclui Filosofia e História. Não, Antropologia já cursei em Standford, onde colei o grau no mestrado! Depois de um doutorado em educação na UCLA, um phd em Geofísica, e o início da Medicina em Harvard, terminou minha singela e curta carreira estudantil.


E continuamos conversando, mais à vontade sem qualquer formalidade.
Passavam-se segundos, minutos e estávamos cada vez mais envolvidos. Eu sabia que o “rapazola”, como dizia meu saudoso avô, também ficara admirado com os meus vinte e poucos anos de experiência à sua frente. Nunca havia sentido isso! Não sendo algumas aventuras passageiras com algums adolescentes antes e após o casamento, nada!
Até que me via acariciando sua mão. Ele não reclamava. Omitia-se ao fato e acho: até gostava! Logo, era ele tocando minhas pernas, e não me lembro bem sobre o nosso assunto naquele momento; e logo estávamos abraçados, dados aos beijos agressivos, cinematográficos, molhados!
Eu chupava seu tórax e abdômem muito bem delineados, de quem pratica exercícios físicos, enquanto ele se dava ao suor de meus pêlos e apertava minhas ancas. Simultaneamente eu tocava seu pênis, entrelaçando sua lingua na a minha sem que nossos lábios se esbarrassem. Estava tenso. Sentia-me como um púlbere de espinhas no rosto, entregue à uma prostitura para a iniciação no caminho do amor. Pensava, justo eu, um cinquentão, e talvez o meu amante, naquele momento, possuindo no máximo a idade de meu filho, estivesse ainda mais atordoado.
Rolávamos pelo chão, amarrotados, eu já tocava seu sexo com a boca, até que um imenso estrondo abalou o edifício. Um barulho estridente e observávamos das janelas uma fumaça negra dominando o céu imperial de Nova Iorque. Pessoas corriam exasperadas, .. “Help-me!... Oh, my good”!.. Era o que mais se ouvia. Uma funcionária invadiu meu gabinete e se atirou pela janela, estilhaçando todo o vitral. Estava instaurado o caos! Sentíamos o prédio balançar e tremer ao mesmo tempo, junto a uma neblina que poluía o ambiente. O garoto, correu para baixo de minha mesa, orando pela sua prórpria vida. Ajoelhado ao chão, suspendi minhas mãos para às últimas considerações:


INDUMENTADA À ODISSÉIA MALÍGNA
MESSIÂNICOS CONDUZEM ÀGUIAS GIGANTES,
NUM ERUDITISMO DE TERROR.

TRAZEM ATROZMENTE FOGO E FUMAÇA.
VARREM UM PODRE MUNDO, SUAS TRAÇAS!
ORIENTANDO O SENTIDO DO AMOR.
ACENTUANDO FEROZMENTE À RETRAÇÃO GLOBAL.
O CONFRNTO POLIDUAL.
O DUELO FINAL!


Na Esparta, a urgência da guerra do Peloponeso, por volta de 381 a.c, talvez não me fizesse feliz. Como bom descendente de espartíatas, fazia valer minha cidadania: Educava, ensinava e treinava os meninos que seriam um dia como eu, futuros guerreiros, defensores da austeridade cívica e militar estatal. Os quarenta e um anos da guerra (403 à 362a.c), representavam dias quentes, beligerantes, turbulentos. Todavia, trocávamos carícias – eu e os rapazes -, nalguns instantes.
Analistas prognosticavam os conflitos balcânicos, enquanto eu, seduzido, admirava o painel da guerra. Os rebeldes do UCK ( Exército de Libertação de Kosovo), lutava contra a “varredura sérvia”. Meu pincel albanês, imaginava Milosevic – o Príncipe Negro -, planejando bombardeios sanguinários em telas, numa perspectiva étnica.
Porém, frustrou-se quando a OTAN interveio. Houve dissensão guerrilheira. Na virada secular à península se retraiu. Vejam: a Sérvia vendeu os tribunais de Haia, Milosevic, seu ex-presidente. Prossegui pintando quadros contundentes. Ninguém está contente!
Em 1979, retornei do exílio político com a new-left na cabeça e um futuro nas mãos. Após ter dançado na guerrilha urbana, posteriormente também entre os desbundados, e finalmente no Studio 54. Eis que trazia no currículo o terrorismo revolucionário – isso após ter me embriagado no 74 dos Cravos! Passeei pelo mundo a cavalo, e então, já me via preparado para o equilíbrio entre a abertura gradual e o socialismo democrático.
Ao pisar neste solo patriótico, fiz contato com Glauber Rocha, almejando um novo trabalho. Eu estava “duraço”, e pintou um papel em seu mais novo projeto nominado: A idade da terra.
Não era a primeira vez que eu trabalhava com o cineasta. Houve uma oportunidade por volta de 1966, noutra produção sua – Terra em transe -. Glauber na época salientou que me cairia bem o papel de Sylvia( personagem do filme). No entanto, ele encontrou uma atriz mais bonita e nata. Assim, acabei por encenar a negra bandeira da imaginária Eldorado, cuja utilizada em várias tomadas por D. Porfírio Diaz, interpretado magistralmente pelo célebre Paulo Autran. Fui parte da cena clássica, quando a referida personagem percorre num automóvel conversível com a cruz e comigo – a bandeira – na mão, após dar um golpe na república metafórica.
Desta vez, o diretor fora taxativo: eu encenaria o Crysto Militar, não... O Crysto Negro, não... O hippie, não... Rosa Madalena, não... Bramhs, não... O Capeta, não... Não, não, não, NÃO!..



(AUTORIA: LUCILUZ)
luciluz@gmail.com
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25/10/2005 10:55
Esse amor é ferro em brasa incandescente;

Contigo sinto doce gosto maroto;

Tenho agora coração garoto;

E fique sabendo que

Tudo que faço tem teu raio de olhar

Sem você aqui é como magia de não estar;

Agora sou pétala sem rosa;

Uma parte sem o todo;

E esse todo não é todo sem à parte;

E a parte não é parte sem o todo;

É como sereia;

Água e mar;

Oceano e costa;

Rio sem desaguar;

Montanha sem vento;

Vento que toca palmeiras;

João de barro que constrói;

Fogo que arde;

Água que acalma;

E tempestade que transforma.



K.S. (rose.evestur@uol.com.br)
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25/10/2005 10:54
Poderia pensar em hoje como uma quarta-feira, mas já estamos na sexta. O tempo é realmente estranho, não pode e não vai esperar. E foi nesse tipo de pseudofilosofia da vida que iniciei minha primeira – e mais importante- viagem. Destino: Eu !

Hesitei se a embarcação seria pelos olhos ou pela boca, mas como associe a saliva com as águas dos mares, e navios com viagem, foi pela boca que tudo começou. Estava eu deitado, com os braços esticados e quase sem sentir os pés de tanto que estava relaxado, então calcei as sandálias de peregrino, coloquei a mochila nas costas e fui! No começo da estrada, olhei duas vezes para trás, na primeira vi minha mãe acenando com um lenço coloridinho, meigo como seus gestos, breve como sua vida, na segunda não vi mais ninguém. A estação estava vazia, um ar nostálgico e denso, parecia daquelas cidades cinematográficas onde nada ocorre além de ficção, mas eu estava lá e a fazia existir de fato. Fui até a bilheteria, mas me esqueci para qual cidade eu ira primeiro.

- Bom Dia!

- Bom Dia - respondi sem saber a quem, dando um giro sobre meus pés pra ver de

onde vinha.

- Ainda que algo possa ocorrer, corra, antes do que não pode aparecer, apareça. Saiba para onde ir, qual porta abrir, entenda meu proceder, saiba o que vai acontecer, para prevenir o mal já escrito para ti, o quebre.

Passei os olhos por toda a estação, e não percebi de onde vinha a voz. Parecia uma

ladainha, uma cantiga feita, em uma voz feia. Não nego, me estremeci de medo com o QUEBRE dito tão medonhamente.

Vi uma cabine vermelha que antes não tinha visto, no meio da estação vazia- mas como tudo combina aqui! pensei, as cores, os sons ...- saía de lá a voz! Larguei a bolsa e fui em passos rápidos até ela. A cabine estava fechada, oras ! Como alguém entra e daí saí? Não via a porta, era como uma cabine telefônica, quadrada de ferro, de um vermelho intenso, sem fechadura ou passagem de ar. Curioso! As frases não saiam de minha cabeça e sentindo uma ponta de raiva dei um chute leve no ferro. Nem se moveu. Passei o dedo e percebi em alto relevo um escrito. Contra luz não pude ver, era grosso. Fui refazendo as letras com as mãos. Entre sem bater! Dizia. Comecei com as duas palmas das mãos a empurrar, claro que entraria, falei, se eu conseguiss... Ah!! Uma das laterais foi para frente e depois se abriu. Um cheiro de queimado empestava aquele cubículo. Tudo escuro, de repente tudo claro, uma luz amarela, vinda de um lustre antiguíssimo de vidro colorido, simétrico, o qual me fez lembrar a decoração da casa de um tio colecionador. O tamanho de um metro por um daquela cabine me dava uma horrível sensação. Vazio! Assim me parecia quando escuro, mas quando a luz ofuscou minhas pupilas. Credo ! Uma velha horrível, magérrima, de olhos fundos e sofridos, pele já retorcida, parecia ter muitos, mas muitos anos e olhava-me fixamente.

A porta havia fechado e percebi que o interior era espelhado, nas quatro laterais. Me espremi em um dos lados a fim de não ficar muito perto daquela figura. Rente ao meu rosto, o dela. Não me desesperei, mesmo não me parecendo completamente inofensiva.

- O trem tarda a chegar, entre um sol e a lua, só uma vez vai passar.

- Eu sei, por isso vim no horário certo. – mas eu a conheço, pensei, é muito

familiar sua voz, sua presença, seus olhos caídos...

- Eu sei que me conheces, te conheço como ninguém. O itinerário de tua cabeça, tudo que tua mente quer que esqueça, as estradas de teus pensamentos, tuas falsas e verdadeiras morais... e tanto e tanto mais. Te conheço mais do que tu mesmo, estou ciente de ti desde que nasceu, teus princípios e caráter, tua mais podre parte, e muitas vezes te salvei.

- Ah ! maldita consciência !



(continua)

Laís Mussarra

enviada por Plantando Letras...



21/10/2005 11:45
Eu sou de lua
Sim eu sou de lua
Tenho fases
Às vezes sou cheia de anseios
Às vezes minguo de amor
Às vezes cresco em mim mesma
Às vezes sou nova de novo
POrque é ruim ser de fases?
Ser de fases é saber renovar-se
Renovar-se é ser sempre diferente
Sim, eu sou de lua
Às vezes também sou cheia de protestos
Às vezes minguo em mim mesma
Às vezes cresço em alguém
Às vezes não fico nova, mas me renovo
Sim, eu sou de lua.
Edelaine Demucio
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5648245

enviada por Plantando Letras...



21/10/2005 11:44
Minha arte é:
Compor,tocar e cantar.
Deus me concedeu tres dons, os quais me dão á responsabilidade de agradar a quem me assiste, me ouve.
Tenho a obrigação de tentar agradar a dádiva recebida e dividir o meu aprendizado, sempre aos ouvidos educados que absorvem o meu expressar.
Sabendo que:
Não sou poeta, sou um misturador de palavras, um tecedor de rimas alinhavando versos nesse universo do verssar.

Más acima de qualquer coisa sou, Um discipulo que sabe agradecer a DEUS, toda graça recebida do viver e contar meus"bolodórios" a quem possa me escutar.
Carlos Silva - carlossilvampb@hotmail.com
9790-7789
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20/10/2005 12:11
NO DIA EM QUE FUI KANT

No dia em que fui Kant
Toda a realidade era transcendental
O amor era como castelo de areia
E o mar estava morto.
A luz era o negro da escuridão
E a claridade, pedras ofuscas

No dia em que fui Kant
Havia de perder a razão
Pra viver num espelho
Onde as cores vivificavam
No preto e no branco
O concreto não tinha consistência

Acreditei não acreditar em nada
A fraqueza era minha fortaleza
E a vontade, desânimo
Perdi, como a melhor forma de ganhar
O não era meu sim
E detestar foi meu gosto

A poluição que me cegava
Estava pura e leve
Como as matas cinzas

E Deus era feito de gente
À semelhança do homem,
Que por hora não se identificava
Mas eu era Kant

Me alegrava estar triste
E não entender me fazia sábio
O tempo ao Diabo pertenceu
E o espaço não existiu

No dia em que fui Kant
A lógica estava na minha loucura
Se é que louco eu estava.

Fechei os olhos
Pra melhor observar o nada
E conclui que nada era moral.



Vivi o fenômeno da morte
E por isso deduzi como juízo
A cólera dos amores perdidos
O inicio do mundo

No dia em que fui Kant
O amor se fez guerra em mim
E a verdade me iludia.
A priori dormi e a consciência voltou

Percebi que no dia em que fui Kant
A razão era minha embriagues
E a filosofia que estava na garrafa
Eu havia bebido por completo.

LUIZINHO BRITO

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20/10/2005 12:09
Ladrilhos da gente

De uma segunda-feira
a uma sexta, o que há é uma
secura extensa de sóis,
que vão e tornam
sempre no mesmo ritmo
mas nunca na mesma cor
e eu que finjo pensar
profundamente
sou a mais simples
de toda a gente
que pisa na terra dos sóis

Passam pernas em passos rápidos
para poder batucar no chão
com a sola dos pés
com as palmas das mãos
- porque segurar a cabeça
dói como crescer sem dormir -
e mesmo que a gente esqueça
o piso firme é pelante
e é necessário pular
pois nem a flor que nasce adiante
aguenta e morre logo, assim
mas a gente boa daqui
supera e persiste
porque quando teima
vai até o fim
e se o fim da vida é a morte
a gente tenta e pode
viver, enfim
mas não conformado
porque isso é pecado
sem discussão !

Laís Mussarra

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17/10/2005 14:20
O GRANDE CONCURSO (Para Crianças)



Era uma vez, uma floresta muito alegre, onde viviam coelhos, pássaros, leões, ursos, tartarugas, tatus e vários outros animais. Os animais eram todos amigos, e estavam sempre fazendo festas, competições esportivas, bailes e muitas outras atividades onde todos podiam participar. Um dia, o leão teve uma grande idéia:
- Vamos realizar um grande concurso, onde eu irei eleger o bicho mais fofinho da floresta.
A floresta ficou em polvorosa, todos se agitaram, por todo lugar que se passava, só se via animais tomando banho, usando xampus, passando perfume, se penteando, e comentando sobre o concurso.
Mas, desta vez, nem todos os animais iriam poder participar do concurso, pois não são todos os animais que têm o pêlo fofinho. E por isto, enquanto todos se arrumavam, o tatu e a tartaruga ficavam de canto só olhando o que acontecia, pois nenhum dos dois tinha pêlo e nem era fofinho. O coelho passou por eles se penteando e disse:
- Vocês dois não vão se arrumar para o concurso? E saiu correndo dando risada, e os dois ficaram ainda mais tristes.
O tatu tentava se consolar e à amiga, dizendo:
- Não fique chateada não tartaruga, depois a gente promove um concurso do animal mais durinho da floresta, e eu quero ver este coelho metido participar.
- É, pode ser, mas eu gostaria de participar deste também, é a primeira vez que nós ficamos fora de algum evento aqui na floresta.
De repente, a cobra sai de trás de uma árvore e diz aos dois:
- Com licença, eu estava passando por aqui, e sem querer, ouvi a conversa de vocês.
- É muito feio ficar escutando a conversa dos outros, viu dona cobra. Disse a tartaruga.
- Mas foi sem querer, bom mas isto não importa, o que eu tenho a dizer a vocês, é que eu também não sou um animal fofinho, e por isto, fiquei fora do concurso. E eu acho que eles fizeram isto de propósito, porque se acham mais bonitos do que nós e nos consideram animais muito feios e inferiores. Porém, eu não concordo com isto, e acho que deveríamos mostrar para eles a nossa força.
- Como assim? Disse o tatu.
- Vou explicar, nós devemos mostrar a eles que o que importa em um animal não é a beleza, mas sim a inteligência e a coragem. E sabem como podemos fazer isto? Deixando todos eles feios no dia do concurso.
- Eu não acho certo fazermos isto, disse o tatu.
- Nem eu, concordou a tartaruga.
Mas a cobra não se convenceu e insistiu:
- Mas pensem bem, nós não machucaremos ninguém, o que vamos fazer é ficar em cima de uma árvore próxima ao local do concurso com um balde de tinta, e quando os concorrentes passarem, jogamos a tinta em cima deles. Ninguém irá se machucar, eles aprenderão a não nos deixarem de fora das atividades da floresta e perceberão também, que não são mais bonitos do que nós, apenas são diferentes, e além do mais, ninguém vai ficar sabendo que fomos nós que jogamos a tinta.
Os dois pensaram um pouco, e por estarem muito chateados disseram:
- Tudo bem, eu topo.
- Eu também.
E começaram a se preparar para estragar o concurso. Foram ver o local, escolheram uma árvore, decidiram o local que cada um deveria ficar e prepararam os três baldes de tinta. Agora já estava tudo pronto, era só esperar o dia do concurso.
No dia do concurso, os três subiram na árvore escolhida, cada um em um galho, e ficaram aguardando a chegada dos outros animais.
Aos poucos todos foram chegando, cachorros, coelhos, gatos, ursos, todo o tipo de bicho que tem pêlo. Todos perfumados, e com pêlos enormes, lavados e penteados. O leão é quem iria escolher o bicho mais fofinho, e estava sentado em uma cadeira embaixo do galho onde estava a tartaruga.
O leão começou a apresentação dos candidatos, e o público aplaudia muito.
Mas de repente, o galho onde estava a tartaruga começou a se quebrar, pois ela era muito pesada. Ela rapidamente saiu dele, mas a cobra percebeu que o galho cairia bem em cima da cabeça do leão. O galho se quebrou, mas quando ia cair, a cobra se enrolou nele e o segurou, mas o galho era pesado, e a cobra começou também a escorregar. Então o tatu a segurou, mas também não aguentou o peso e começou a escorregar. A tartaruga então segurou o tatu, e não escorregou, pois ela era pesada e aguentava segurar a cobra, o tatu, e o galho de uma só vez. Neste momento, todos os que estavam no local para assistir o concurso estavam apavorados assistindo à cena, mas quando a tartaruga conseguiu segurar a cobra, o tatu, e o galho da árvore, todos começaram a aplaudir e gritar:
- Viva os heróis, eles salvaram o leão!!
O coelho rapidamente buscou uma escada e os três puderam descer.
O concurso acontece, e os três assistem ainda tristes por não estarem participando. O coelho é considerado pelo leão o bicho mais fofinho da floresta, e recebe uma medalha.
E quando o tatu, a tartaruga e a cobra já estavam indo embora, o leão os chama:
- Ei! Voltem aqui, tenho uma coisa para vocês.
Então o leão entrega uma medalha a cada um deles e diz:
- Vocês não são os animais mais fofinhos da floresta, mas são os mais corajosos e por isto merecem estas medalhas. Os três são mais aplaudidos do que o ganhador do concurso, e saem de lá sendo os animais mais felizes do dia.

Andréa

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17/10/2005 10:49
DESEJO RECIPROCO DE UMA NOITE SOLITÁRIA

Nunca te vi
Mas a distancia nos fez próximo
O seu rosto imaginei
No desejo recíproco de uma noite solitária
O calor na voz acalentou os corações
A fantasia na sua mente.
Me trouxe realidade e concupiscência
O escuro do quarto, te refletia
pelas frestas da janela eu me dei pra você

Palavras de carinhos, obscuridades
Serenidades em demasia
O cheiro de erva doce me deu paz
E um sabor de tudo dominou meu paladar
Senti calor!

Sua presença tão ausente me acompanha
Os objetos somem e nada mais importa
Nem mesmo a poesia.
Fomos versos na mesma estrofe
Uma rima descompassada.

A madrugada se calou pra nos ouvir
Uivamos na longa distancia que nos separava
A noite ilumina nossos caminhos, mas não nos vemos
Tudo num desejo recíproco de uma noite solitária
Chegamos juntos ao céu e vimos estrelas
De todas as cores, brilham como nossos olhos
Ah, como você foi real na minha imaginação!

Senti seu prazer invocar o meu
Que agradecido respondeu em delírio
Fomos um, sem sequer nos conhecermos
Vênus nos uniu pela energia universal
E ocupamos o infinito constelado.

E tão logo veio o dia
A sede passou e a claridade
Aumentou o caminho que ora nos fez próximos
Nunca te vi, mas te vejo pelos olhares que me olham
Para que ao anoitecer possamos nos encontrar novamente
Num novo desejo recíproco de uma noite solitária.


Luizinho Brito - luizinhobrito@hotmail.com)
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17/10/2005 10:47
Veja aquela cadeira de balanço
sem nenhum balanço
no canto da sala
e ouça o fatal silêncio que ecoa
e o tédio que soa
vazio em sua fala

Quando seu nobre coração batia
serena alegria
enchia seu peito
e nos contava de sua experiência
de vida e essência
de todos seus feitos

Seu belo canto no canto soava
e a vida acabava
na alma faceira
...

e agora no humilde canto da sala
seu canto já cala;
só resta a cadeira.

(Elliar Oto de Eduardo F. Pompeo - cabelonobisrex@yahoo.com.br)
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17/10/2005 10:46
Todo dia, ao retornar do mundo dos sonhos, encaro o despertador piscando 07:00 e me lembro: hoje é o dia, o dia que mudarei a minha vida. Sentirei saudades da coberta. Tenho dificuldades para sair da cama, pois mesmo ao acordar acabo me convencendo a voltar pra cama. Qualquer outro dia eu poderia cochilar mais um pouquinho, mas decidi que hoje não. Hoje vou levantar cedo para poder fazer tudo o que eu gostaria de ter feito todos esses anos.
Vou começar com um alongamento só para sair da cama. Tomarei uma boa ducha e um café da manhã bem nutritivo logo em seguida. Satisfeito e cheio de energia sairei para trabalhar e tentarei ao máximo aproveitar a parte da manhã para adiantar minhas tarefas. Em menos tempo do que o de costume chegará a hora do almoço, o qual será bem rápido pois hoje terei começado um regime. Durante a tarde, ao invés de ficar esperando a digestão fazer efeito, estarei com o corpo bem leve e poderei continuar trabalhando com a mesma intensidade como fiz de manhã, e não trarei serviço pra casa para poder ficar completamente despreocupado.
Talvez eu até consiga sair mais cedo, o que me proporcionaria ainda mais tempo para a parte boa do meu plano. Terei várias escolhas. Poderei caminhar antes do jantar. Ler livros e ver filmes. Quem sabe tocarei algum instrumento, sempre quis saber tocar bem. Depois ficaria contando histórias para a lua e suas estrelas até me cansar. Farei tudo isso e mais um pouco.
Finalmente hoje conseguirei. Finalmente hoje será o dia jamais esquecido. O dia que conseguirei fazer tudo o que nunca tenho tempo ou força de vontade para fazer. Tudo o que eu quero fazer. Tudo o que eu devo fazer. Tudo o que eu não faço.
Tudo o que eu não faço?
Mas então o que tenho feito eu senão essas coisas que quero e devo fazer? Que tenho feito eu com meu tempo? Aonde estive que não estava lendo um livro ou vendo estrelas? Aonde estive todos esses anos?
Uma coisa é certa: eu cheguei até aqui e não foi sem fazer nada. Na verdade eu lembro das caminhadas e de ter lido vários livros e visto vários filmes também. Já fiquei despreocupado com o trabalho, sei tocar meia dúzia de músicas no violão e olho para o céu como quem olha no espelho. Parece não haver motivo para me sentir assim, por mais que eu pense sobre o assunto. Talvez eu precise pensar mais. Talvez eu devesse fazer menos coisas para ter tempo para pensar.
E agora que parei pra pensar percebo que na verdade sempre fiz isso. Por mais que eu tenha variadas atividades durante o dia a maior parte dele eu passo pensando. Fico submerso em sonhos, lógicas e paradigmas. Me questiono a cada segundo e aristotelicamente encontro as respostas. Vivo minha vida pensando, e melhor ainda, percebo que gosto muito disso. No fundo é até o que eu sei fazer melhor, afinal, passei a vida inteira treinando. Como é bom saber que poderei passar todo dia pensando sem achar que não estou fazendo nada. Como fiz todos esses anos.
Como é boa essa coberta...

Eduardo Ferracini Basile - eduardo_basile@terra.com.br)

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17/10/2005 10:45
!-!

cama
lama
trama
chama
assanha
arranha
arrepia
aperta
puxa
joga
enlaça
atrai
contrai
cheira
transpira
empurra
amassa
morde
estica
canta
excita
goza
abraça
cama

Camila Andrietta - camilandrietta@hotmail.com)
Blog: camiles.blogspot.com
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17/10/2005 10:44
Estou só
E
Não tenho vergonha de te dizer
que meu sexo é animal e feminino
e tenho muita sede e fome
mas não de meninos
tenho um pulsar assim forte
e quando me vejo no espelho
olha ! eu tenho um corte
e meus pelos e cabelos não são morenos
- tem uma montanha no meu cinzeiro
estou envolta em uma névoa densa
uma atmosfera espessa
de pesadelo
converso com minha imagem
ela não reponde
não pensa
é só a imagem no espelho!
são vazios perdidos
na virtualidade de ser-se e respirar-se e
tocar-se
como um instrumento de sopro
cada nota um desencontro
harmônico
e no sopro do outro
arrepiar-se ao pensar

eu queria me enrrolar
em um longo cabelo
e jogar no mar essa armagura
bruta que brota dentre brumas
das palmas das minhas mãos
e desde o macio de tuas pernas
do vermelho de tuas ternas
faces faço o que fazes
para te ganhar !
abar devagar teus lábios
deixe-se ser e sinta
ah ! sinta prazer

Laís Mussarra - lais_mussarra@hotmail.com
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17/10/2005 10:43
Me questione a poesia

lhe questionarei o ar

me questione a autoria

lhe questionarei das palavras o uso

me questione a veracidade

e lhe questionarei a verdade da vida



Acautele os olhos

mas eu libero as palavras

prenda tudo que você quiser

eu libertarei os meus sentidos



consteste minha sorte

eu mesmo já fiz isso

instaure sua disconfiança

ela so assinala minha aguçada dança



Em tudo podes inquirir

mas em nada poderas captar

antes que as palavras que busque veja

outras já estarei a proclamar

(Marcus Vinícius - marcusdzn@gmail.com)
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17/10/2005 10:42
de Pi se pia a teoria
de si sigma segue-me eleva
dotado de radius imerso em esferas
rodando em meus círculos
perdido nessas infinitas retas

com tantos cortes se evita dor
com laços na sorte
a maioria do caos se evitou
não é tão diferente da vida
essa equação com tantas variáveis

Dó ó música dos desesperados por amor
se sol tu irradia alegria
heliun que nunca falte
se si consigo reflexões
sejam elas nos espelhos desse meu mundo
(Marcus Vinícius - marcusdzn@gmail.com)
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14/10/2005 12:33
inexistência

Eu cuspo palavras
Sem saber o que estas são
Vou criando minha vida de ilusões
Engolindo minhas próprias mentiras
Fingindo ser quem não sou
Fingindo existir
Mesmo sabendo que a verdade
Está no meu dentro
Sabendo que a verdade está engasgada

Eu cuspo palavra
Engulo mentiras
E a verdade está engasgada.

Raissa Corso
23/08/05.

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13/10/2005 12:24
Retirar a bicicleta do porão, limpar a poeira, encher os pneus e pedalar no primeiro domingo de sol da primavera. O corpo balança e sua para impulsionar as duas rodas, enquanto os sentidos contemplam as imagens deste cenário já tão conhecido, o bairro sobre o qual caminho desde a infância, onde me reconheço, conheço a quase todos, me consumo e me renovo.

É primavera, é domingo de sol na periferia! E há que se celebrar. As roupas são leves, as mulheres são lindas e o sol é uma flor amarela e aveludada; tem música em todos os bares, tem churrasco e muita cerveja na festa do Arsenal, na esquina da favela; tem seu Lourival, o nosso querido Lori – que nos viu meninos e por isso até hoje nos chama pelo diminutivo do nome – chegando ao campo para ver o Brasília jogar. Nem é preciso descer da bicicleta, basta apoiar o braço no alambrado e assistir meia hora de um balé onde os corpos e todos os olhares dançam acompanhando a redonda. Nem todos são craques – neste jogo, em especial, menos ainda – mas a dedicação e a pegada já valem ‘o ingresso’. Meia hora e nem um golzinho, vários perdidos cara a cara com o goleiro, mas tudo bem, foi bonito, e a cerveja no boteco do campo, sob o bambuzal, tem um outro sabor, pois é como se tantos espíritos que já partiram se reunissem ali nas manhãs de domingo, com saudades deste lindo sol e da bola rolando. Um Grilo não foi dormir e está cantando ali no capim, sob o orvalho que ainda não secou. Façamos um brinde a esses amigos que não tiveram tempo de caminhar, em paz, como seu Lori, na manhã de uma nova primavera.

Roberto QT

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13/10/2005 11:44
A bomba está prestes a explodir, no Iraque as bombas voam como estrelas cadentes nos sonhos do Imperador neonapoleônico. Na Bolívia, a tensão parece preceder uma guerra civil inevitável onde o povo tem voz ativa e resistência invejável para exigir um estado democrático e justo. E no Brasil?

No Brasil a ferida parece aumentar cada vez mais, enquanto o presidente supostamente chora, os beneficiados pelo mensalão riem e esbanjam o dinheiro público a torto e a direito. Atuam na sociedade como parasitas que se infestam e se multiplicam quase que exponencialmente.

Na Argentina, a população vai as ruas, faz barulho, dá a cara a tapa e encara o poder "burrocrático" de frente na busca de uma liberdade real e dignamente conquistada. Na Coréia, onde o autoritarismo ainda predomina, os estudantes encaram a polícia em batalhas sangrentas que chocam o mundo mas fortalecem a auto-estima e a luta por um país livre, não só dos abusos autoritários, mas também da desorganização generalizada e corrupta.

No Brasil, a população se esconde covardemente por traz dos telejornais e das discussões apenas durante o chopinho no final do expediente. O país precisa não só de políticos honestos e comprometidos com o bem estar da nação, mas acima de tudo, de um povo merecedor da pátria onde vive. É muito cômodo sentar no sofá de casa esperando a pseudo-liberdade do povo contra a corrupção e os maus elementos narcisistas economicamente. De nada adianta reclamar e expor idéias e medidas ao amigo de bar pois o máximo que ele irá fazer é comentar em casa com a mulher durante o jogo de futebol ou a novela das oito.

O brasileiro precisa reclamar no ouvido de quem pode e deve mudar a situação, o povo não "é brasileiro e não desiste nunca" pelo simples fato de que só pode desistir quem já começou a lutar. Ninguém desiste de algo cuja atitude vive encubada, o brasileiro não desistirá somente após o passo inicial. Enquanto o processo de "vergonização na cara" estiver sob o comando dos que lustram a careca com óleo de peroba, a população continuará a mercê da sorte e de deus. O problema é que deus só ajuda quem cedo madruga. É por isso que cada vez fica mais nítido que a paz do Brasil nos custa muito caro.

Leonardo Rocha - leonardorochas@gmail.com
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13/10/2005 11:43

É preciso estar morto
pra escrever felicidades
de forma triste e monótona
externar realidades

De um interior sombrio
necessidade de poeta
que não deixa a alma aberta
para a mais puras das intenções

O que são as emoções,
se não cacos de desespero?
Felicidade ou destempero
diante da falsidade
e faz das letras seu tempero
inundar perversidade

O poeta é perverso
pois vive a morte toda vida
se feliz...está triste
se triste...está inspirado
magoado, acabado
sentimentos alterados

E altera todo seu dia
buscando lembranças desagradáveis
pra conseguir na nostalgia
fazer versos irretocáveis

Assim se faz a poesia
do aborto instantâneo da criação
da renúncia indiferente a vida
pobre vida de poeta
que só faz do seu fim
o início de tudo
pobre sina de poeta
faz dos laços emocionais
seu pequeno absurdo

Leonardo Rocha - leonardorochas@gmail.com
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13/10/2005 11:43
Isso!
Chora pedra.

A onda não vem mais
a erosão é seu destino
não há mais o que lapidar
nem adianta chorar
rolar pra lá e pra cá
você não anda
o mar te abandonou
nada mais alivia
está velha e acabada
sem musgos
sem mariscos
sem água, sem mar

Chora pedra!

Só lhe resta essa areia
quente e fedorenta
chora e reza pra chover
agora é só o que refresca
só lhe resta chorar
você não morre
ninguém socorre
não se desmancha
antes não existisse
mas você já existiu
já viveu e padeceu
e hoje é só uma pedra
nada pode fazer
pra aliviar a dor
não sabe andar
agora que o mar deixou
você ir pra onde quiser
não tem pra onde ir
e fica aí
olhando o mundo girar
como se fosse parte dele

Chora pedra!

Ele não te quer
é só uma pedra
atrapalhando o mundo a girar
pois ninguém chora por ti
ninguém te quer

Chora pedra
chora enquanto é tempo
pois o tempo é implacável
e o seu já passou.

Leonardo Rocha - leonardorochas@gmail.com
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13/10/2005 11:42
supõe-se que eu diga
que eu chore
que eu atue
mas eu só quero ficar bem.

não quero te fazer pensar,
não quero ser uma dúvida,
mas posso tentar.

definitivamente talvez
só hoje, pra sempre,
não querendo sorrir,
eu possa rir.

por tentar tanto
por errar tanto
por mentir tanto
por não amar tanto.
(Alexandre Chaves - alexandre.chaves@gmail.com)
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13/10/2005 11:41
as palavras tem me fugido
como nunca fizeram
terei eu desgastado?
como sempre,
longe de tudo,
como nunca feliz,
poderia passar por tudo de novo?
se não vejo o futuro hoje,
irei vê-lo amanhã?
entao porque ainda sigo a procura?
atras do inalcançável,
longe do possível,
perto do final.
o grito parece a saída,
quando a palavra é vazia,
a mente é vazia,
o coração inexiste, então?
se não aconteceu até hoje,
porque achar que poderá acontecer algum dia?
se o caminho mais fácil não é o melhor,
porque ele me atrai de tal maneira,
que meus olhos nao vêem,
que minha cabeça não entende,
que ninguém jamais sente?
preso a tudo que me liberta,
como um todo, torto,
livre dentro da gaiola,
sozinho no meio de milhares de cabeças que,
ainda que iguais a mim,
jamais vão entender a cor da dor
que elas me proporcionam,
mesmo que o amor domine,
ninguém pode amar sozinho.
(Alexandre Chaves - alexandre.chaves@gmail.com)
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13/10/2005 11:38
Era uma vez um rapaz que amava uma guria. Amor recíproco. Mas nunca saiu do papel de nenhum dos dois. Falando em papel, o papel dele era ser "o cara carinhoso e que ao mesmo tempo esnoba a necessidade dela" e ela era "a linda pessoa angelical que lhe dava excessiva atenção sem demonstrar nada mais que amizade". Mas eles se amavam. Ninguém a sua volta soube e os que souberam esqueceram ou fizeram de conta que nada havia. Eles se visitavam regularmente, além de se verem todo o dia no trabalho. Apesar de todo esse contato nem ele nem ela ousavam arriscar um convite, pra qualquer coisa que fosse, dar uma volta, ficar parado olhando pro céu, nada. Um dia ela viajou, não para muito longe mas longe o bastante para fazê-la parar de pensar nele. Se foi vontade dela ou imposição de alguém, ninguém sabe e talvez nunca vai saber. Na última vez que se encontraram, ela namorava com outro, outro que também necessitava-a totalmente, mas corajoso o bastante para dizer "eu te amo". Ele espera por ela. E eles se amavam.
(Alexandre Chaves - alexandre.chaves@gmail.com)
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13/10/2005 11:35
Talvez possa parecer loucura
tanto sentimento estranho
mas a vida é muito dura
hora é perda hora é ganho

me vejo só onde não queria
é igual a você e seus problemas
sente dor que não merecia
esses são nossos dilemas

Deixe o amor entrar por onde pode
e não machuque tanto assim
pois uma hora ele explode
como a dor que dói em mim

você vive ocultando um pesadelo
que não tem hora pra acabar
não cabe dica nem conselho
que te faça enxergar

o seu futuro
com felicidade presente
e te faça descer do muro
onde a paz está ausente

é difícil, eu sei
mas você não merece
e nesse abismo que parei
sinto a dor que arrefece

entendo o que sentes
um desejo proibido
o mesmo quando mentes
escondendo a libido

mas deixe que as águas corram
para um mar sem destino
e as correntezas te socorram
sem pensar no desatino

e eu fico aqui
a margem do rio a olhar
e admirar você fluir
até onde se encontrar.
(Leonardo Rocha dos Santos - leonardorochas@gmail.com)
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12/10/2005 10:55
Vida: para fazer nascer os que estão morrendo
Sol: para fazer brilhar os que não possuem lua
Luz: para iluminar os que vivem na escuridão
Chuva: para correr toda a terra e molhar os campos secos que estão devastados
Lágrima: para fazer chorar os corações insensíveis
Voz: para fazer falar os que sempre se ocultaram
Canto: para alegrar os que vivem na tristeza
Luar: para brilhar nas noites de amor dos amantes
Flor: para enfeitar os jardins no outono
Silêncio: para silenciar as vozes que atordoam os homens
Dor: para amargar os peitos dos infiéis
Grito: para gritar a dor dos que sofrem no silêncio
Olhos: para fazer enxergar os cegos de verdade
Força: para fugir dos que utilizam para o mal
Sorriso: para encantar os lábios amargurados
Veículo: para trazer de volta os que já partiram
Sonho: para colorir os sonos dos realistas petrificados
Amanhecer: para fazer um dia de mais felicidade e amor sobre a terra
Noite: para acalentar os que lutam de dia
Amor: para as pessoas e lhes dizer que sou apenas uma pessoa igual a elas.

Emaíra Padial - emaira_p@hotmail.com
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10/10/2005 14:48
Sou folha de rascunho. Não tem norma
Da regra culta que me faça verdadeiro
Ou certo, como o triste conselheiro
Que busca no epitáfio a perfeita forma.

Não sou nada a não ser raro cordeiro.
Não sou quase nada, sou ainda feto.
Minha vida é um auto incompleto
Desses que se escreve um ano inteiro.

Sou a simples letra solta sem sentido
Num papel de carta velho, assim caído
Em meio à rua escura e sem saída.

No casulo sou lagarta ainda cega.
Sou o pólen caindo ao léu na flor que entrega
A inocência do meu ser à fragil vida.

(Marcelo P. Albuquerque - nosferatus_df@hotmail.com)
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10/10/2005 12:20

Foi clarão
após um abutre distrair o mito da escuridão
um lustre de sombra sim
contudo um lustre que voa
pra iluminar o vão de uma retina
que moldura a pele da neblina
destravando as cortinas do sol
e mostrando a púrpura pilha do farol
um farol de nuvens que se anuncia
e faz um pincel de arcos ser mais
que irís nos olhos do céu
ser uma toalha envolta do réu
que dá um veredito macio pras ilhas
que fincam raízes no mar
a procura de estrelas que brilham
e as tolhas molhadas de suor
deixam claras as aquarelas e cores
e num toque ressoante de adrenalina
dizem que é hora de aventuras
e de sentirem um cetim
cobrir vidas que iluminam dias
(Antonio - http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10981431561085423628)

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10/10/2005 12:19
Não tenho mais pranto
Meus rios secaram todos
Meu rosto é espelho desse chão
Rasgado por sulcos profundos
Sou do sertão
Levo a vida “severina”
Que se pode levar
Aqui, até meus olhos de estio
Queimam de desilusão
Nas minhas veias
Rios pouco perenes
Ainda correm resolutas
Doses de um sangue
De cor sem força
Mais suficientemente forte
Para não me deixar abater
Nordestino por falta de opção
Aprendi a amar esse chão
Com todas as dores que ele tem pra me oferecer
Olhando daqui vejo galhos secos, cinzentos
Parecem raízes alheias ao vento
Que sopra trazendo rarefeita ilusão
E vou vivendo e morrendo
E a cada dia é um passo que dou
Em direção a minha última alegria
A união definitiva com meu chão

de Varley Farias
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10/10/2005 12:07
Eu a encontrei
Nascemos sobre a luz do mesmo sol
Eu me encontrei
Quando percebi q eu e ela somos um só

Os corações palpitaram
No mesmo compasso
As almas vibraram
Como se depois de muito tempo
Se encontrassem novamente

E no castelo dos destinos cruzados
Meu destino e o dela
Foram escritos com o mesmo sangue
Pela mesma espada do amor

Mas o destino é traiçoeiro
me derruba me persegue.
Joga-me contra o desfiladeiro
E espera q eu me recupere

Mas esse amor do castelo
Está fugindo pelos muros
E em suas rachaduras
Torna meu sonho obscuro

Pq mi torturas ó vida
Pq não me deixas amar
Pq não permite q eu pare de sofrer
Pq não permite q pare de penar

O Dragão fugiu com minha princesa
Eu estou preso no porão
Meu cavalo branco morreu de sede
Esperando q a sorte me estenda a mão

Só há uma saída para minha dor: a morte
Mas eu não há busco, eu a engano
Quando ela pensar q me derrubou
Eu estarei feliz, ao lado de meu amor.

E ao seu lado, ó princesa.
Gozarei de vida eterna
Pq o amor não conhece a morte
O amor renasce a cada dia

O Amor que nem bem chegou, já foi embora
levado pela mesma brisa que o trouxe outrora
mas como um furacão, devastou
por onde assou deixou sua marca
e agora na reconstrução de minha alma
estarei sozinho, com muita calma

o mesmo amor que me prendeu
hoje me faz livre como meus pensamentos
livre pra tentar novamente
livre pra ser eu mesmo de novo

“não tenho medo de perder você
desde o inicio eu já sabia
era só questão de dias
um dia ia acontecer”

As paredes do castelo
não foram firmes o suficiente para te segurar
o meu amor não foi o suficiente pra te amar
então se queres o dragão, com ele viverás
mas se ainda me quiseres me busque no mar

Estarei lá olhando ao horizonte
levando a vida como um nômade
tentando ser feliz com apenas metade
de meu coração

( a outra metade, com vc ficou princesa
e só aceitarei a minha metade
se com a sua metade, formar um único amor
um único coração, uma única verdade

(Paulo Rodrigues - bobvqb@msn.com)
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10/10/2005 11:49
E quando queimar-se toda a matéria ?
A opulência e a miséria
Quando o sol não for mais suficiente
O frio virá, devagar e inexoravelmente
Congelando carne, ossos, almas...
Congelando as estrelas, calmas
Congelar-se-á a humanidade, a terra, os sonhos
E todos avistaremos, tristonhos
Um buraco negro, que mansamente
Possibilita uma esperança... novamente!

(sigmar montemor - sigmontemor@hotmail.com)
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10/10/2005 11:46
Na aula de português

Sabe...
Eu acho que ainda penso demais nisso,
ainda penso demais em você,
em como foi,
em como é,
nunca no que poderia ter sido.
Mas mesmo assim
eu passo a usar demais o subjuntivo.

Se eu pudesse...
Não, se eu quisesse
seria tudo diferente pra nós,
eu acho.
Tudo ainda é muito duvidoso,
seu corpo ainda é luminoso,
seu rosto ainda me fascina.

Se ainda eu fosse diferente...
E lá vem o subjuntivo novamente,
o talvez,
o pudera,
o quissá.
Depois me vem o deixa pra lá,
o vê se esquece,
o siga em frente...

E no fim, a reticência novamente...
(Luciano Ratamero - lucianoratamero@gmail.com)
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10/10/2005 11:44
Assim me torno verdadeiro
Acabo de presenciar o mais belo nascimento entre os homens
Um sonho acaba de sussurrar na minha alma
E o meu coração se torna a porta para o futuro

Abro com as mãos gentis o rio dos desejos
São infinitos anjos sinceros que ali nadam
Uma fogueira onde deposito o meu sonho
Aquele que nasce em um segundo e vive eternamente...

Yuji Martins Kodato (ueshinx@yahoo.com)

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10/10/2005 11:39
eu quero escrever um poema
que deforme a tua lua
e que tua alma seminua
desfaleça ao percebê-lo

eu quero escrever um poema
com restos do meu soluço
que meus olhos dissolutos
se entorpeçam de desejo
o desejo de desvê-lo

eu quero escrever um poema
que resvale na ironia
e revele em simetrias
o desuso da saudade

eu quero um poema torto
descrito em linhas retas

que despoemise o amor
que destrua a minha crença
e me faça desigual

eu quero escrever um poema
que desdiga o que foi dito
que desfaça o que se fez
que desnude o desgosto
desbotado em cada gesto

e ao desanoitecer da noite
na desordem indiscreta
do desbeijo dos teus beijos
se estabeleça em teu regaço
o reverso dos meus versos
e no desabraço dos teus braços
eu me sinta um despoeta.
(João Nery Pestana - jotanery7@hotmail.com)
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10/10/2005 11:35
Onde, como não sei
Não sei porque
Será o que?
Não há de que...
De certo talvez

Caminhava muito rápido
Pausa!.... para as flores
que caminham mais lentamente
e exalam o perfume da alegria
Risos no Teatro...
olhar atento para o que não tem explicação
meus olhos embargados agora
Do que não rimos?.

Com sua ausência me perco
fico para trás
Meus pés já não tem chão
Sorria Juliana!... porque eu te amo
Juntos a caminhar até nos desencontros.

(Maurício Bárbara - mauricio.barbara@gmail.com)
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10/10/2005 11:33
Pobres e malditas massas
que caminham débeis
por estradas desniveladas,
no trajeto sem metáforas
que é a vida.

Pensar, pensar, pensar
Morrer.
Não pensar.

Mas, por que falarmos
da incompreensão existencialista,
se gostamos
de falar do amor?

Oh, minha bela amada,
que tão cedo me abandonou.
Prometi-lhe a monotonia,
a vida rotineira,
tudo o que é enfadonho
na insegurança do nosso medo
de viver.
E descontente das
verdades que estão por vir,
Embrenhou-se solitária
nas fantasias do seu futuro incerto.

É,
a verdade da vida
é que ela não rima.
(Erick Maschietto - erick.maschietto@gmail.com)
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10/10/2005 11:30

Bem me lembro daquele dia. Foi a última vez em que o vi.
Naqueles tempos em que o dinheiro mal dava pra pagar as contas, um garoto de 12 anos ajudava sua mãe em seu ofício de lavadeira. Quando não estava carregando pilhas de roupa de um lado ao outro do vilarejo, estava cuidando de sua avó, mãe de seu pai, que há anos era enferma. Seus dias não eram fáceis, mas ainda assim restava-lhe tempo para sorrir. E assim ficou conhecido.
O pai não via há muito tempo. Este era caminhoneiro e passava a maior parte do tempo em cidades as quais o garoto nunca ouvira falar. Quando aparecia ficava só um dia ou dois, tempo suficiente para deixar as coisas em dia e para maravilhar o filho contando suas histórias da estrada.
- Pai – dizia o garoto – conta a do caminhão de porcos!
- Outra vez, filho? – respondia o pai.
- Então a do assalto no canavial...
- Tá, mas é a última vez.
Ele passava o tempo inteiro sonhando com as aventuras de seu pai. Era seu único amigo, e mesmo que demorasse um mês para vê-lo por apenas poucos dias valia a pena. Mas agora fazia quase um ano. Desde que foi fazer umas entregas no norte não teve mais tempo para voltar. O menino sabia que demoraria, mas nunca imaginou que fosse tanto. Doía em seu coração a falta que seu pai fazia. E no meio de tantas perguntas que lhe surgiam na cabeça restava uma esperança, dia 13 era seu aniversário. O pai encontraria tempo para vir. Afinal era seu aniversário e o pai não faltaria.
No vilarejo a alegria era contagiante. O garoto que gostava de sorrir agora era só risadas. Cantarolava, até. Avisava a todos sobre a grande festa. Sua mãe e algumas vizinhas preparavam os docinhos e os salgadinhos, enquanto ele tomava conta da avó. Sua mãe disse que até refrigerante daria pra comprar naquele ano. Ele que só tinha tomado uma vez na casa de um primo, suspirava, mas não se deslumbrava. Não queria presentes. Tampouco salgadinhos e refrigerante. Isso tudo ele queria para o pai, pois o pai era seu maior presente.
E agora só lhe faltava um dia. Mal podia esperar. Sua mãe disse que talvez o pai chegasse ainda aquele dia para descansar da viagem antes da festa. Talvez até ficasse para sempre. Claro, era um sonho, mas até um garoto humilde como ele tinha o direito de sonhar. Pois foi no meio de tantos sonhos e devaneios que ele acidentalmente trocou os remédios de sua avó.
Ninguém sabe exatamente o que essa dosagem errada fez com a mulher, mas não tinha nem escurecido quando ela começou a vomitar. A tosse não mais era seca e ríspida, mas agora agonizava engasgada no meio de tanto pus e catarro. Os lençóis, encharcados de vômito e suor, pareciam terem saído de dentro da própria velha. Algumas partes manchadas de sangue. A mãe e as amigas começaram a correr de um lado para o outro da casa em total desespero, gritando por ajuda. Outros vizinhos chegaram mas todos sabiam que não haviam médicos na região, e nem como levá-la à capital.
O garoto apenas olhava imóvel, sem entender a situação. Foi quando percebeu que o vento batendo em suas costas vinha da porta que alguém acabara de abrir. E ao virar-se ainda teve tempo para ver a expressão no rosto do pai passar de cansaço para terror.
Ainda imóvel, viu o pai esquivando-se dele para alcançar a avó. Não acreditava que o pai pudesse passar reto por ele como se nem existisse. Como se fosse insignificante. Nunca se sentiu tão pequeno. O pai havia escolhido ficar com uma velha a beira da morte enrolada em seus trapos fétidos ao invés de ficar com ele. Desejou estar morrendo.
E antes que seu pai saísse de casa, enquanto os vizinhos carregavam a velha, conseguiu forças para falar:
- Pai. Fica!
- Agora não, filho. Tenho que levar minha mãe pro hospital.
- Mas amanhã é meu aniversário...
E olhando fixo nos olhos do menino, talvez sem nem ter pensado a respeito, o pai disse:
- Amanhã não é tão importante assim. Depois a gente conversa.
E assim foi saindo, deixando a porta se fechar lentamente, enchendo de escuridão aquele cômodo que parecia nunca ter visto a luz. O garoto, agora completamente paralisado, ouviu em silêncio o barulho da freada brusca e o som seco da batida. Depois os gritos e choros das pessoas que estavam em volta. Em sua cabeça, apenas o silêncio.
Na manhã seguinte uma chuva fina caía sobre os túmulos. Vizinhos comiam salgadinhos e bebiam refrigerante sem trocar uma palavra. Abraçado a seu pai, o garoto sorria.

(Eduardo F. Basile - eduardo_basile@terra.com.br)
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10/10/2005 11:26
Percorro o incômodo.
Algo me perturba.
Revolvo o eu,
Sei cada vez mais,
de cada vez menos.

Sempre me desconheço,
E depois me descubro,
cada vez que penso
que cheguei no máximo
percebo-me não ter fim...

É uma força que nasce,
sem que eu nada possa fazer,
revira-me inteira,
sou eu (re)nascendo em mim.

Vida de novo,
Luz acesa!
Começa tudo outra vez.
Vira a ampulheta!

Camila Andrietta - camilandrietta@hotmail.com - http://camiles.blogspot.com
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10/10/2005 11:21
O louco sou eu.
O louco sou eu.
Que vejo a verdade
Que sinto amor e saudade.
O louco sou eu
O louco sou eu.
Eu que as vezes choro,
Até mesmo imploro por um grande amor.
Eu que sou louco,
Que bebo um pouco.
Que existe a mais de mil anos,
Que torce pelo ser humano.
O louco sou eu,
Que busca a existência.
Não nego a sentença
Que vê a loucura chegar.
É que sou louco
É que sou louco.
Que teme a solidão
Me prendo na pureza,
Temo a depravação
Que choro na tristeza.
O louco sou eu,
Porque sou louco.
As vezes nado,
E as vezes chapo o coco.
É que sou louco
Buscar a bela
Sem ter beleza.
Cortar a grama
Por 10 reais.
Que desperdiça
Falta me faz.
Louco sou eu,
Louco sou eu,
Porque sou louco,
Por que sou louco?
(Roberto Cesar Cianfarani -beto_cianfarani@yahoo.com.br)
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09/10/2005 15:58
Amo-te ainda
E tu pensas que finda
Meu sentimento, que sina!
Amo-te em vão
Mas insisto que não
Pois ninguém imagina...
Amo-te triste
Meu coração não desiste
De prolongar meu suplício
Amo-te pra quê?
Debalde fico à tua mercê
Isso deve ser um vício...
Amo-te mais
Do que pensei ser demais
E esquecer-te eu deveria
Amo-te ao invés
De acreditar que tu és
Alguém que nunca me amaria
Amo-te sem ver
Que nada posso eu fazer
Mas pra sempre vou sonhar
Amo-te enfim
E isso basta para mim
Só o que quero é te amar

Declarei-me para ti
No último dia em que te vi
Vi meu mundo desabar
Vi-me sem poder sonhar

Meu sentimento sobrevive
Atenuado, é verdade
Da ilusão que um dia tive
Hoje choro de saudade...
Valéria Scavasine - livelyvaleria@hotmail.com ou http://www.fotolog.net/pinkval

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09/10/2005 15:51
Pensar sem imaginar,
Desejar e não sonhar
Cadê a paixão pra entorpecer
Essa dor de te querer?

A ilusão me inebriava,
era um mel que embriagava,
Um perfume alucinante,
Anestesias de um amante

Num bálsamo eu dormia,
por uma lente rosa eu via,
Maldito dia em que acordei
E cinzento o mundo olhei!

Amava a quem não existia
Era a tua farsa que eu queria
Foi tua mentira que eu amei
Acreditei e me apaixonei

Criaste o sonho que eu sonhava
Fingiste ser o que eu esperava
E no melhor da tua comédia,
Despertei pra minha tragédia!

Tiraste a máscara que olhei
Mataste o homem que eu amei
Teu crime além de interpretar
Foi o meu sonho assassinar...

Era o amor que me inspirava!
Era a paixão que eu adorava!
E que me resta se agora sei
e meu coração pra ti eu dei?

Infeliz coração infame,
Onde jaz o amor inane,
Que será dessa mulher
se um novo amor não quer?

Ó vil desejo infante!
Dores jovens de uma amante!
Malditos lábios puros e castos
onde os sabores são tão escassos!

Que me dera poder amar...!
Maldita eu seja por sonhar!
Meu coração tão exigente
Muito quer e nada sente...
livelyvaleria@hotmail.com ou http://www.fotolog.net/pinkval
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09/10/2005 15:47
Coloquei-me a pensar em você
e em nossos laços nunca maliciosos
que fizeram-se fortes por tal fato
e, como agora, a saudade não aceita derrota
pela distância que se denota
e que impede a simples estação
de estarmos pertos, e rirmos juntos...
Se ouvires o som surdo da noite
e te lembrares da ternura da Lua
lembres de mim também,
pois de ti também me lembro
em cada momento confortante que me parece vazio
Porém, siga seu caminho
mesmo que ele nos separe cada vez mais,
pois eu também hei de seguir o meu
mas nunca esqueça isto:
de tua linda presença sempre farei lembrança
ainda que meu maior amor more em meu coração
tu sempre terás o teu confortável lugar nele
e nele nós sempre estaremos perto
para rirmos e chorarmos,
para termos aquilo que nem o beijo traz:
a pura essência das relações,
crescida e aventurada,
testada e aprovada...

Willian Zolnowski - protector_z@yahoo.com.br
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09/10/2005 15:33

(Helber Almeida - helberalmeida@yahoo.com.br)
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09/10/2005 15:31

(Helber Almeida - helberalmeida@yahoo.com.br)
enviada por Plantando Letras...



09/10/2005 15:29

(Helber Almeida - helberalmeida@yahoo.com.br)
enviada por Plantando Letras...



09/10/2005 15:26

(Helber Almeida - HELBERALMEIDA@YAHOO.COM.BR)
enviada por Plantando Letras...



09/10/2005 15:24

(Helber Almeida - HELBERALMEIDA@YAHOO.COM.BR)
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09/10/2005 15:08
No escuro
Luzes estão longe
Lembranças mais perto
Meu coração inchado


Na chuva
A solidão me queima
Ruas sombrias
Palavras vazias
Meu coração calado


No silêncio
Nada importa
Palavras mortas
Meu coração parado

(Rio, setembro de 2005.)
Viviane Magalhães - vivianemag@gmail.com
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09/10/2005 15:07
Hoje, não quero um dia perfeito;
Nem sucesso, nem conquistas.
Só quero ver o sol nascer
E aquecer meu corpo.
Não quero ser gentil,
Nem bom ou educado.
Quero apenas olhar as pessoas
E retribuir seus gestos.
Hoje, não quero somente amar,
Mas quero sentir também o amor que me oferecem.
Não quero pensar no ontem, ou no amanhã,
Quero apenas esse momento...
Quero sentir que estou aqui!
Correr pela rua...
E, além de sentir o sol,
Sentir o vento lamber meu rosto
Numa carícia.
Quero sentir o ar faltar
E respirá-lo,
Buscá-lo desesperadamente...
E na exaustão da parada,
Quando as forças se esgotam,
Sentir, num momento ínfimo,
O terror frente à perspectiva da morte...
E sentir, então, que estou vivo
E que a vida arde em meus poros
Em minha voz,
Em meus sentidos,
Em de minha alma...
(Rio, maio/2003.)
Viviane Magalhães - vivianemag@gmail.com
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09/10/2005 15:02
Quero uma bebida
não me interessa qual
ela se foi
meus olhos estão cansados
beber fumar
olhar para as flores
quanto tempo nos separa
quando eram belas
ela
a poesia
venho em silêncio
na esperança de ainda rever alguma coisa
uma garota me espera
entre nós
as flores
amassadas
...
Walter J Barbosa
Mantta - - walterjbar@gmail.com
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09/10/2005 14:58
Faltam cinco minutos.
Crases, crises, cruzes credo.
As redações, as horas marcadas.
A competição diária termina.
Liberdade, muito embora que à tardinha.
Pelas ruas quem não tem nada para fazer, observa.
Os skates cortam o asfalto, os sorvetes lambuzados pelas bocas, os sonhos, sei lá.
Encantar o que resta do dia.
As vitrines refletem as pessoas que vem e vão felizes.
Os bares cantam as alegrias e tristezas, os copos, os sambas, o futebol, as horas, os amigos.
Instintos, vitrines, manequins surreais, vendedoras cheirosas, desejos, perfumes.
Renata especialíssima.
O imaginável.

Walter J Barbosa
Mantta - walterjbar@gmail.com
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08/10/2005 16:46
De vez em quando a alma precisa chover
Porque senão a estiagem pode deixar nosso espírito seco
Quando o espírto seca, quando a estiagem é longa,
as palavras são rudes,
os gestos são hostis
E de hostilidade o mundo já está cheio
Então deixemos a alma chover
Porque quando a alma chove
As palavras adocicam
Mas não é bom chover demais
Porque inundação de doce pode atrair formigas
Mas que coisa, será que pra tudo tem de haver equilibrio?
Chuva ou estiagem?
Lágrimas ou serenidade?
Serenidade ou distância?
(Edelaine - 12/09/2005 - e_demucio@terra.com.br)
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08/10/2005 15:41
A
ÍRIS
OLHO
DE
IARA
OLHOU
MIROU
O
ÍRIS
ARCO

COLORIDA
MIRÍADE
ILUSÓRIA

ONDA
REFRATÁRIA
DO
ESPECTRO
DECOMPOSTO

ÁGUA
SAL
E
MINERAIS

PRECIPITARAM-SE
INCONTIDOS

DA
ALMA
PARA
A
LÁGRIMA


AO
INVÉS
DO
POTE
DE
OURO
MEU
LOURO
TESOURO
ERA
IARA
(sigmar montemor - sigmontemor@hotmail.com)
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08/10/2005 13:55
Devem estar todas as paixões dilatadas e arremessadas e precipitadas
Nesses olhos que não vêem.

Com delicadeza, com excitação, com cobiça, com saudade
Desse colo anguloso que provê.

Nós que alternamos nossos compassos e vivemos nesse frenesi e comprrendemos os uivos constantes da lascívia que nos faz valsar,
Sim, é por nós que a loucura grita.

Não peça que eu dance.
O preço é alto.
É a Alma coreografada que vai; que vai; que vai; que vai que vai que vai...
É sua Razão que eu enlaço na contradança.
Vejo: é tão difícil ser simples e quieto e indiferente...
(08/10/2005, por Michel Fernandes emocionado pela valsa Locura, do cubano Ernesto Lecuona)
mfhamlet@gmail.com
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Estrelas...

Quem s�o elas?

Quando a noite cai elas surgem para preencher o c�u com todo seu brilho e encanto

Iluminam o mundo em parceria com a lua

S�o atores completos, singelos e anunciantes

Diferentes, quando se encontram se completam harmonicamente fazendo o c�u parecer um manto bordado.

E cada ponto � perfeitamente costurado, aperfei�oado, entrela�ado

Quem s�o elas? As estrelas que hoje se apresentam nesse c�u encantado...

Somos n�s, s�o voc�s

Sejam bem-vindos e contemplados!!!

(Fabiana Teixeira)