Este blog nasceu da id�ia de publicarmos poesias, cr�nicas, contos, textos... nossos e dos nossos amigos e amigas. Esperamos contar com participa��o de todos e todas.   Ded� , F� e Andr�a .

Para publicar seu trabalho mande um email para plantandoletras@yahoo.com.br

Plantando Letras...

Colhendo Palavras

Perfil
Links

www.fimdesemananoar.zip.net   http://www.wanderlino.net/links/p.html   Plantando letras no Orkut http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5648245
 

Arquivos

J� passaram por aqui [#CONTADOR#] amigos e amigas

Transe

Quando n�o se tem o que escrever n�o se escreve nada?

Deixa-se o transe tomar conta de sua alma

E depois o que vier vai ser obra da loucura

Sim, porque � a loucura!

� deixar-se ser o que ningu�m se encoraja

� deixar a ess�ncia viver

Tem gente que consegue ser louco e n�o entrar em transe

Ser�?!

Mas tem gente que n�o consegue entrar em transe sem se deixar ser louco

Acho que sou esta

Sou esta que fica louca

Que entra em transe

Que deixa algu�m tomar conta de sua alma

Que v� sua alma como algo coletivo

Que acredita que o coletivo �s vezes � individual

Que v� assim um indiv�duo como voc� mesmo �s vezes

Mas que nunca consegue, ou quase nunca consegue, se ver num coletivo

Que consegue se ver sozinha na multid�o

Que multid�o! Nossa que multid�o!

Que solid�o! Minha nossa que solid�o!

Viram s�?

O transe se fez

(Edelaine)




Em respeito � originalidade, este blog n�o faz nenhuma altera��o nos textos recebidos.

10/10/2005 11:30

Bem me lembro daquele dia. Foi a última vez em que o vi.
Naqueles tempos em que o dinheiro mal dava pra pagar as contas, um garoto de 12 anos ajudava sua mãe em seu ofício de lavadeira. Quando não estava carregando pilhas de roupa de um lado ao outro do vilarejo, estava cuidando de sua avó, mãe de seu pai, que há anos era enferma. Seus dias não eram fáceis, mas ainda assim restava-lhe tempo para sorrir. E assim ficou conhecido.
O pai não via há muito tempo. Este era caminhoneiro e passava a maior parte do tempo em cidades as quais o garoto nunca ouvira falar. Quando aparecia ficava só um dia ou dois, tempo suficiente para deixar as coisas em dia e para maravilhar o filho contando suas histórias da estrada.
- Pai – dizia o garoto – conta a do caminhão de porcos!
- Outra vez, filho? – respondia o pai.
- Então a do assalto no canavial...
- Tá, mas é a última vez.
Ele passava o tempo inteiro sonhando com as aventuras de seu pai. Era seu único amigo, e mesmo que demorasse um mês para vê-lo por apenas poucos dias valia a pena. Mas agora fazia quase um ano. Desde que foi fazer umas entregas no norte não teve mais tempo para voltar. O menino sabia que demoraria, mas nunca imaginou que fosse tanto. Doía em seu coração a falta que seu pai fazia. E no meio de tantas perguntas que lhe surgiam na cabeça restava uma esperança, dia 13 era seu aniversário. O pai encontraria tempo para vir. Afinal era seu aniversário e o pai não faltaria.
No vilarejo a alegria era contagiante. O garoto que gostava de sorrir agora era só risadas. Cantarolava, até. Avisava a todos sobre a grande festa. Sua mãe e algumas vizinhas preparavam os docinhos e os salgadinhos, enquanto ele tomava conta da avó. Sua mãe disse que até refrigerante daria pra comprar naquele ano. Ele que só tinha tomado uma vez na casa de um primo, suspirava, mas não se deslumbrava. Não queria presentes. Tampouco salgadinhos e refrigerante. Isso tudo ele queria para o pai, pois o pai era seu maior presente.
E agora só lhe faltava um dia. Mal podia esperar. Sua mãe disse que talvez o pai chegasse ainda aquele dia para descansar da viagem antes da festa. Talvez até ficasse para sempre. Claro, era um sonho, mas até um garoto humilde como ele tinha o direito de sonhar. Pois foi no meio de tantos sonhos e devaneios que ele acidentalmente trocou os remédios de sua avó.
Ninguém sabe exatamente o que essa dosagem errada fez com a mulher, mas não tinha nem escurecido quando ela começou a vomitar. A tosse não mais era seca e ríspida, mas agora agonizava engasgada no meio de tanto pus e catarro. Os lençóis, encharcados de vômito e suor, pareciam terem saído de dentro da própria velha. Algumas partes manchadas de sangue. A mãe e as amigas começaram a correr de um lado para o outro da casa em total desespero, gritando por ajuda. Outros vizinhos chegaram mas todos sabiam que não haviam médicos na região, e nem como levá-la à capital.
O garoto apenas olhava imóvel, sem entender a situação. Foi quando percebeu que o vento batendo em suas costas vinha da porta que alguém acabara de abrir. E ao virar-se ainda teve tempo para ver a expressão no rosto do pai passar de cansaço para terror.
Ainda imóvel, viu o pai esquivando-se dele para alcançar a avó. Não acreditava que o pai pudesse passar reto por ele como se nem existisse. Como se fosse insignificante. Nunca se sentiu tão pequeno. O pai havia escolhido ficar com uma velha a beira da morte enrolada em seus trapos fétidos ao invés de ficar com ele. Desejou estar morrendo.
E antes que seu pai saísse de casa, enquanto os vizinhos carregavam a velha, conseguiu forças para falar:
- Pai. Fica!
- Agora não, filho. Tenho que levar minha mãe pro hospital.
- Mas amanhã é meu aniversário...
E olhando fixo nos olhos do menino, talvez sem nem ter pensado a respeito, o pai disse:
- Amanhã não é tão importante assim. Depois a gente conversa.
E assim foi saindo, deixando a porta se fechar lentamente, enchendo de escuridão aquele cômodo que parecia nunca ter visto a luz. O garoto, agora completamente paralisado, ouviu em silêncio o barulho da freada brusca e o som seco da batida. Depois os gritos e choros das pessoas que estavam em volta. Em sua cabeça, apenas o silêncio.
Na manhã seguinte uma chuva fina caía sobre os túmulos. Vizinhos comiam salgadinhos e bebiam refrigerante sem trocar uma palavra. Abraçado a seu pai, o garoto sorria.

(Eduardo F. Basile - eduardo_basile@terra.com.br)
enviada por Plantando Letras...






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)



[#AVISO_DIARIO#] [#BOLETIM#]

Estrelas...

Quem s�o elas?

Quando a noite cai elas surgem para preencher o c�u com todo seu brilho e encanto

Iluminam o mundo em parceria com a lua

S�o atores completos, singelos e anunciantes

Diferentes, quando se encontram se completam harmonicamente fazendo o c�u parecer um manto bordado.

E cada ponto � perfeitamente costurado, aperfei�oado, entrela�ado

Quem s�o elas? As estrelas que hoje se apresentam nesse c�u encantado...

Somos n�s, s�o voc�s

Sejam bem-vindos e contemplados!!!

(Fabiana Teixeira)